Palácio Confuso
Domingo, Maio 27, 2012
a xuxa é freak
após uma semana de reflexão e ouvir as mais diversas opiniões sobre o tema, concluo minha pesquisa de campo colhendo o depoimento de filósofos dos rincões do país. e a conclusão a que chego é: a xuxa não deixa de constranger mesmo quando fala sobre um assunto sério e dramático.
porque abuso sexual contra crianças é tão sério quanto recorrente. aqui e no resto do planeta (gente bizarra tem em todo lugar). uma pessoa (famosa ou não) vir a público denunciar chega a ser heróico, diante do trauma que uma situação dessas deve causar.
por mais artificial, no sentido de construção da imagem e da biografia (construção às vezes simultânea à vida real, às vezes por negar posteriormente o que não se pôde esconder a tempo), que a criatura possa ser, o trauma e o sofrimento dela não devem ter sido menores.
mas acontece que tudo veio da boca da xuxa, que tem a incrível capacidade de ser repulsiva dizendo qualquer coisa. ao anunciar um namoro, ao anunciar o fim de um namoro, ao anunciar que está grávida, ao anunciar que vai casar, ao anunciar que não vai mais casar, ao anunciar que a filha nasceu, ao anunciar que acredita em gnomos. ao anunciar.
essa moça lida com a vida dela (coisas boas e ruins) de maneira errada desde o começo.
eliminem daquele depoimento o trecho em que ela fala do abuso. sobram relatos constrangedores sobre relacionamentos fabricados coincidentemente com dois ídolos nacionais. sobra uma mulher de cinqüenta anos falando com voz de criança. sobra uma interpretação medonha, como se ela ainda fosse heroína no filme dos trapalhões. nos gestos, na fala, no rosto, nas pausas. sobra uma figura delirante e triste, no pior sentido que a tristeza pode ter: não a tristeza que a criatura sente. a tristeza que a criatura causa em quem a vê.
a xuxa é freak. sempre foi. me parece uma criatura atormentada desde os primórdios da tv manchete. alguém que nitidamente não é aquilo que demonstra ser. pior (pra ela): parece esconder nos bastidores alguém que é exatamente o oposto da imagem pública que construiu. a xuxa de verdade não se encaixa na rainha dos baixinhos. aliás, ninguém se encaixa. talvez seja essa a chave da questão: a xuxa acreditou que ela deveria ser, o tempo todo, a personagem que criaram pra ela no mundo da fama.
é justamente esse o ponto que a torna digna de descrédito mesmo (ou principalmente) quando fala de temas relevantes. é mais um anúncio? pra quê? todos os outros foram anexados com a carreira. esse também é? que ninguém se horrorize. diante do histórico, temos o direito de nos perguntar.
a questão ali não é o abuso. se ela o sofreu, me compadeço. é um crime repugnante.
a questão ali é até quando vamos ter que continuar sentindo vergonha alheia vendo a xuxa falar. sobre qualquer assunto.
Sexta-feira, Maio 25, 2012
bota a mão no joelho e dá uma abaixadinha
eu tenho um ex-amigo (importante editorialista extinto da face da terra há dois milhões de anos) que possui uma ótima explicação para os motivos que o levam a jamais dançar axé:
- não danço nenhuma música que me mande fazer coisas.
- como assim?
- essas músicas que dão ordem na gente. não danço.
- que músicas?
- sei lá, esses axés da vida. "bota a mão no joelho, dá uma abaixadinha, vai mexendo gostoso e requebrando a bundinha". ficam mandando a gente fazer as coisas. não danço.
- ...
- e não é? é meio que um imperativo maltratado. tudo bem que o certo seria "bote a mão no joelho, dê uma abaixadinha, vá mexendo gostoso e requebrando a bundinha". ainda assim, mesmo se eles dissessem direito, eu não faria. eu boto a mão no joelho quando eu quiser botar a mão no joelho. requebrar a bundinha, então...
realmente faz sentido. se você eliminar do seu repertório todas as músicas que te dão ordens, você seria poupado de constrangimentos abissais. elimine tudo o que diz "sai do chão", "levanta a mão", "bate palmas", "sacode", "extravasa", "libera". sempre no imperativo maltratado, mas mandando.
música é isso. você tem que se submeter. a importante ex-correspondente, anos atrás, me chamou a atenção para um "sucesso" da época. a letra dizia "rolei na areia e fiquei louca". taí. novíssimas propriedades da areia.
compor é se despir de preconceitos e constranger pessoas. o clássico já consagrado nessa linha são as belíssimas palavras do (toc, toc, toc) djavan: "açaí, guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a tez da manhã". ninguém em sã consciência canta isso sem corar pelo menos um pouquinho.
"gustavo lima e você" (me recuso a escrever gustavo com dois "Ts"). você? quem? eu? melhor não, né?
tenho a mais absoluta certeza que esse "verso" foi escolhido apenas para rimar. uma solução e tanto. afinal de contas, o que, nesta vida, rima com "tche tche re re tche tche"? e não basta rimar. tem que fazer algum sentido. "comer um pouco de patê"? "vou me enfezar e te bater"? "tô com vontade de comer"? opa! essa aí combina!
tá vendo, um pouquinho de boa vontade e pronto. você consegue ser medíocre. com louvor.
esse assunto me desnorteia. não sei mais o que escrever. sei lá, a existência não faz sentido.
- não danço nenhuma música que me mande fazer coisas.
- como assim?
- essas músicas que dão ordem na gente. não danço.
- que músicas?
- sei lá, esses axés da vida. "bota a mão no joelho, dá uma abaixadinha, vai mexendo gostoso e requebrando a bundinha". ficam mandando a gente fazer as coisas. não danço.
- ...
- e não é? é meio que um imperativo maltratado. tudo bem que o certo seria "bote a mão no joelho, dê uma abaixadinha, vá mexendo gostoso e requebrando a bundinha". ainda assim, mesmo se eles dissessem direito, eu não faria. eu boto a mão no joelho quando eu quiser botar a mão no joelho. requebrar a bundinha, então...
realmente faz sentido. se você eliminar do seu repertório todas as músicas que te dão ordens, você seria poupado de constrangimentos abissais. elimine tudo o que diz "sai do chão", "levanta a mão", "bate palmas", "sacode", "extravasa", "libera". sempre no imperativo maltratado, mas mandando.
música é isso. você tem que se submeter. a importante ex-correspondente, anos atrás, me chamou a atenção para um "sucesso" da época. a letra dizia "rolei na areia e fiquei louca". taí. novíssimas propriedades da areia.
compor é se despir de preconceitos e constranger pessoas. o clássico já consagrado nessa linha são as belíssimas palavras do (toc, toc, toc) djavan: "açaí, guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a tez da manhã". ninguém em sã consciência canta isso sem corar pelo menos um pouquinho.
"gustavo lima e você" (me recuso a escrever gustavo com dois "Ts"). você? quem? eu? melhor não, né?
tenho a mais absoluta certeza que esse "verso" foi escolhido apenas para rimar. uma solução e tanto. afinal de contas, o que, nesta vida, rima com "tche tche re re tche tche"? e não basta rimar. tem que fazer algum sentido. "comer um pouco de patê"? "vou me enfezar e te bater"? "tô com vontade de comer"? opa! essa aí combina!
tá vendo, um pouquinho de boa vontade e pronto. você consegue ser medíocre. com louvor.
esse assunto me desnorteia. não sei mais o que escrever. sei lá, a existência não faz sentido.
Quarta-feira, Maio 23, 2012
quiche lorraine
existem diversas maneiras de um ser humano chegar ao fundo do poço. uma delas é almoçar em um restaurante por quilo. é a depressão. é a miséria humana exposta na hora de um momento sublime, a refeição.
na fila, vários tipos. tem a gordinha que quer deixar de sê-lo. e a composição cuidadosa do prato segue regras que, acredito, não se encaixam no receituário do mais liberal dos nutricionistas charlatões (aqueles que, vez ou outra, produzem manchetes do tipo "emagreça comendo de tudo"). a criatura começa. duas folhas de alface. uma rodela de tomate. um punhadinho de cenoura ralada. e depois uma (apenas uma, umazinha só) LINGUIÇA. dá vontade de cutucar e falar: "escuta, isso é regime, minha filha? essa linguicinha inofensiva anula todo o seu esforço escolhendo esse punhadinho de cenoura".
aí tem a gordinha que não se importa em sê-lo. ah, essa se delicia. como gosta! pula a parte de saladas no ato. nunca antes sem dar uma olhadinha. vai que tem um ovinho de codorna, né? quando tem, já pega cinco de uma vez. "cinco ovinhos equivalem a um grande, né?", pensa ela, colocando o estômago à frente das decisões. nos dias mais inspirados elas se deleitam no carboidrato. arroz com rondelli é um clássico das gordinhas sem-vergonha (danadinhas!). e ainda tem a mistura: uma carninha, um franguinho com pele, né? e por que não um torresminho, e aquele pedacinho gostoso de torta de baicon? sobremesa? seis rodelas de abacaxi. "ajuda na digestão".
tem também aqueles que simplesmente não se alimentam. é o indíviduo das escolhas unitárias. uma folha alface, uma rodela de tomate, um ovinho, um punhadinho de arroz, um pouquinho de feijão ("só o caldo, pra não ficar muito seco") e pronto. alimentado. o problema, mas o grande problema, é que esse infeliz demora que nem o cão pra escolher. como escolhe! atrasa a fila. não se importa. como é difícil escolher uma folha de alface! meu filho, você comeu isso ontem! tá comendo hoje! e vai comer amanhã! quilo não tem variedade! pega logo essa porcaria dessa alface e anda! mas raiva mesmo dá quando a criatura não se decide, percebe que você está esperando, olha pra trás com aquela voz fanhosa e diz: "se quiser, pode passar...". que raiva. dá vontade de passar uma rasteira, isso sim.
e a comida? é o conhecido estelionato alimentar. as plaquinhas de identificação são sensacionais! "lisa com tomate seco". sei. oito quillos de alface, dois tomatinhos. tortinha de bacon vira "quiche lorraine". "lasanha quatro queijos". ahã. se ali tiver dois tipos já tá no lucro. e deve ser prato e minas. e os risotos? "risoto de camarões à provençal". hahahahaha. sério, piada. esses dias o rapaz do caixa me disse: "como está a qualidade da comida?". minha vontade seria responder: "procuro não pensar para poder continuar comendo". mas, como tenho este blog para desabafar, sobra espaço para educação nas relações cara a cara: "a mesma de sempre...". e ele: "é que o nosso chef faltou e nós estamos preocupados". não consigo imagina a minha cara ao ouvir a palavra "chef".
é isso. a gente entra, pega a comida, passa na balança, pesa, pega a comanda, senta, come, levanta, paga, vai embora e, enfim, se pergunta: "por que deus não me leva de uma vez?".
na fila, vários tipos. tem a gordinha que quer deixar de sê-lo. e a composição cuidadosa do prato segue regras que, acredito, não se encaixam no receituário do mais liberal dos nutricionistas charlatões (aqueles que, vez ou outra, produzem manchetes do tipo "emagreça comendo de tudo"). a criatura começa. duas folhas de alface. uma rodela de tomate. um punhadinho de cenoura ralada. e depois uma (apenas uma, umazinha só) LINGUIÇA. dá vontade de cutucar e falar: "escuta, isso é regime, minha filha? essa linguicinha inofensiva anula todo o seu esforço escolhendo esse punhadinho de cenoura".
aí tem a gordinha que não se importa em sê-lo. ah, essa se delicia. como gosta! pula a parte de saladas no ato. nunca antes sem dar uma olhadinha. vai que tem um ovinho de codorna, né? quando tem, já pega cinco de uma vez. "cinco ovinhos equivalem a um grande, né?", pensa ela, colocando o estômago à frente das decisões. nos dias mais inspirados elas se deleitam no carboidrato. arroz com rondelli é um clássico das gordinhas sem-vergonha (danadinhas!). e ainda tem a mistura: uma carninha, um franguinho com pele, né? e por que não um torresminho, e aquele pedacinho gostoso de torta de baicon? sobremesa? seis rodelas de abacaxi. "ajuda na digestão".
tem também aqueles que simplesmente não se alimentam. é o indíviduo das escolhas unitárias. uma folha alface, uma rodela de tomate, um ovinho, um punhadinho de arroz, um pouquinho de feijão ("só o caldo, pra não ficar muito seco") e pronto. alimentado. o problema, mas o grande problema, é que esse infeliz demora que nem o cão pra escolher. como escolhe! atrasa a fila. não se importa. como é difícil escolher uma folha de alface! meu filho, você comeu isso ontem! tá comendo hoje! e vai comer amanhã! quilo não tem variedade! pega logo essa porcaria dessa alface e anda! mas raiva mesmo dá quando a criatura não se decide, percebe que você está esperando, olha pra trás com aquela voz fanhosa e diz: "se quiser, pode passar...". que raiva. dá vontade de passar uma rasteira, isso sim.
e a comida? é o conhecido estelionato alimentar. as plaquinhas de identificação são sensacionais! "lisa com tomate seco". sei. oito quillos de alface, dois tomatinhos. tortinha de bacon vira "quiche lorraine". "lasanha quatro queijos". ahã. se ali tiver dois tipos já tá no lucro. e deve ser prato e minas. e os risotos? "risoto de camarões à provençal". hahahahaha. sério, piada. esses dias o rapaz do caixa me disse: "como está a qualidade da comida?". minha vontade seria responder: "procuro não pensar para poder continuar comendo". mas, como tenho este blog para desabafar, sobra espaço para educação nas relações cara a cara: "a mesma de sempre...". e ele: "é que o nosso chef faltou e nós estamos preocupados". não consigo imagina a minha cara ao ouvir a palavra "chef".
é isso. a gente entra, pega a comida, passa na balança, pesa, pega a comanda, senta, come, levanta, paga, vai embora e, enfim, se pergunta: "por que deus não me leva de uma vez?".
Terça-feira, Maio 15, 2012
eu sei onde está o marighella!
agora é fato. vou denunciar o meu professor da academia para a comissão da verdade. não me interessa se ele é de esquerda, se é de direita. só sei que ele se formou nas faculdades integradas emílio garrastazu médici.
porque aquilo não se faz. com ninguém. qualquer um que é submetido a uma leg extension entrega o companheiro na hora. não há quem resista. se meu torturador me obrigasse a entregar a minha mãe, eu entregaria. sob a ameaça de mais uma sequência de quinze levantamentos de peso? claro que entregaria!
- onde é o esconderijo?!
- eu não sei!
- onde é, vagabundo?!
- eu juro que não sei!
- noronha, mais três sessões de quinze abdominais nele!
é isso. o gabeira na minha mão não duraria meia hora. bastava me ameaçar com a barra dos dez quilos.
- levanta! levanta! e fala onde tá o gabeira!
- eu não sei!
- fala! mais um quilo nele, noronha!
- eu não sei! a última vez que eu vi ele tava com a sunguinha da leda nagle!
- noronha, bota ele na triceps machine. vamos ver se a gente não descobre onde tá o gabeira.
jurei que não iria falar. não posso denunciar o gabeira. mas ele apelou. me ameaçou com a step machine.
- ah não, step machine, não! eu entrego! eu entrego todo mundo!
ali no dops tinha uma competition no porão, tenho certeza. "noronha, desce com ele pra aula de spinning. se resistir muito, manda pra ginástica aeróbica com peso nas pernas. em última caso, joga na água. manda nadar crau sem nadadeira com o pára-quedas e o flutuador. vamos ver se esse vagabundo não abre a boca".
cadê a maria rita kehl? o josé carlos dias? e o gilson dipp? ninguém ali na baronesa de itu com a albuquerque lins? ninguém pra ver uma coisa dessas? vou ao tribunal de haia. o que eu passo ali, milhões de pessoas sofrem no mundo inteiro. e vão se preocupar com chineses escravizados pela apple? pela zara? cadê a onu?
hoje fui obrigado a fazer abdominais com peso nos pés. TRÊS sessões. no final, quando o meu sangue voltou a circular e pude dar um bafejo de ar, sussurrei: "eu sei, eu sei onde está o marighella". o professor certamente não entendeu. cão de guarda da ditadura. meganha dos infernos.
já estou avisando. se eu desaparecer, me procurem no araguaia. estarei treinando uma tropa com muito cachorro-quente, milk shake e carboidrato COMPLEXO.
porque aquilo não se faz. com ninguém. qualquer um que é submetido a uma leg extension entrega o companheiro na hora. não há quem resista. se meu torturador me obrigasse a entregar a minha mãe, eu entregaria. sob a ameaça de mais uma sequência de quinze levantamentos de peso? claro que entregaria!
- onde é o esconderijo?!
- eu não sei!
- onde é, vagabundo?!
- eu juro que não sei!
- noronha, mais três sessões de quinze abdominais nele!
é isso. o gabeira na minha mão não duraria meia hora. bastava me ameaçar com a barra dos dez quilos.
- levanta! levanta! e fala onde tá o gabeira!
- eu não sei!
- fala! mais um quilo nele, noronha!
- eu não sei! a última vez que eu vi ele tava com a sunguinha da leda nagle!
- noronha, bota ele na triceps machine. vamos ver se a gente não descobre onde tá o gabeira.
jurei que não iria falar. não posso denunciar o gabeira. mas ele apelou. me ameaçou com a step machine.
- ah não, step machine, não! eu entrego! eu entrego todo mundo!
ali no dops tinha uma competition no porão, tenho certeza. "noronha, desce com ele pra aula de spinning. se resistir muito, manda pra ginástica aeróbica com peso nas pernas. em última caso, joga na água. manda nadar crau sem nadadeira com o pára-quedas e o flutuador. vamos ver se esse vagabundo não abre a boca".
cadê a maria rita kehl? o josé carlos dias? e o gilson dipp? ninguém ali na baronesa de itu com a albuquerque lins? ninguém pra ver uma coisa dessas? vou ao tribunal de haia. o que eu passo ali, milhões de pessoas sofrem no mundo inteiro. e vão se preocupar com chineses escravizados pela apple? pela zara? cadê a onu?
hoje fui obrigado a fazer abdominais com peso nos pés. TRÊS sessões. no final, quando o meu sangue voltou a circular e pude dar um bafejo de ar, sussurrei: "eu sei, eu sei onde está o marighella". o professor certamente não entendeu. cão de guarda da ditadura. meganha dos infernos.
já estou avisando. se eu desaparecer, me procurem no araguaia. estarei treinando uma tropa com muito cachorro-quente, milk shake e carboidrato COMPLEXO.
Domingo, Maio 13, 2012
o que é, de fato, inexplicável
o universo é inexplicável? o sentido da vida ou sentido da existência é inexplicável? os planetas suspensos no vazio? o movimento de rotação da terra? o surgimento da raça humana? tudo isso é inexplicável?
não. inexplicável é o faustão ser garoto propaganda de qualquer coisa. já repararam? o faustão (sim, o faustão) é garoto propaganda de tudo. ele aparece em cinco de cada dez propagandas na tv. em fotos, em outdoors. é, de fato, inexplicável. como pode? eu nunca, nunca, nunca na minha vida ouvi alguém dizer: "sou fã do faustão", "adoro o faustão", "corre, liga a tv, vai começar o faustão!". eu nunca ouvi isso.
agora eu me pergunto: alguém compra alguma coisa porque é recomendada pelo faustão? eu entendo quem compra monange por causa da xuxa. eu entendo quem compra corega por causa da suzana vieira. "ah, o cauã reymond recomenda que eu use a pasta de dentes tal". bom, ele tem bons dentes. ele é galã de novela. faz sentido. o neymar anuncia cuecas. eu entendo quem compra. agora, o faustão? repito: o faustão? é ou não é inexplicável?
(tenho ojeriza de quem chama o faustão de fausto. ojeriza. "pois é, fausto". aquele ator que começou ontem na novela, aquele ex-bbb eliminado no último paredão. nunca pisaram no programa. e provavelmente nunca vão pisar de novo. nunca viram o faustão pessoalmente. e, provavelmente, não vão ver de novo. e dizem "pois é, fausto". ojeriza. a cláudia raia pode chamar o faustão de fausto. ela vai lá todo domingo!)
por que os corruptos seguem fazendo combinações pelo telefone? bem destaca a editora-chefe de um telejornal que é líder de audiência por aí (alô, ana maria braga! - taí, eu entendo quando a ana maria braga anuncia caldo de carne). voltando: bem lembrou a editora-chefe. "desde que eu me conheço por gente existem escutas telefônicas. por que eles continuam?". é isso. por quê? não dá pra encontrar pessoalmente? eles, mais do que ninguém, têm dinheiro pra gastar. e dinheiro que nem é deles! pega um avião, sabe? marca um almoço. por telefone? que bandidagem mais mirim!
por que torcedores do, sei lá, do goiás, do bahia, paraná clube, seguem torcendo para seus times no campeonato brasileiro? se existe uma certeza quando começa o campeonato é que esses times nunca vão ganhar. mas a torcida segue acreditando. segue indo ao estádio. será que eles acreditam seriamente que o bahia vai ser campeão? "grande final na fonte nova! bahia: o melhor elenco do brasil". não, né?
como o são paulo, time de ponta, time rico, segue contratando técnico ruim em looping? no repeat? sai o leão, entra o carpegiani. sai o carpegiani, entra o adilson. sai o adilson, volta o leão. é tão difícil assim contratar o luxemburgo? o luxemburgo tá no grêmio! vocês acham que ele quer ficar no grêmio? ouvindo "bah" pra cima e "tchê" pra baixo? contrata o luxemburgo, são paulo! inexplicável.
por que quando um aparelho eletrônico dá problema, a gente soca? dá uns tapinhas? dá aquelas batidinhas no controle-remoto? e quando a tevê de tubo dava pau? uns tapinhas em cima. ou desligava. pra "deixar descansar". é isso mesmo? deixar um eletrônico descansar? não existe nenhuma lei da física que explique esse comportamento. existe uma lei da psiquiatria: você é completamente louco. inexplicável.
por fim, por que o bruno de lucca segue no elenco da globo? essa é a revolta de um amigo felino-que-mente. e ele tem razão em perguntar. por que? inexplicável.
não. inexplicável é o faustão ser garoto propaganda de qualquer coisa. já repararam? o faustão (sim, o faustão) é garoto propaganda de tudo. ele aparece em cinco de cada dez propagandas na tv. em fotos, em outdoors. é, de fato, inexplicável. como pode? eu nunca, nunca, nunca na minha vida ouvi alguém dizer: "sou fã do faustão", "adoro o faustão", "corre, liga a tv, vai começar o faustão!". eu nunca ouvi isso.
agora eu me pergunto: alguém compra alguma coisa porque é recomendada pelo faustão? eu entendo quem compra monange por causa da xuxa. eu entendo quem compra corega por causa da suzana vieira. "ah, o cauã reymond recomenda que eu use a pasta de dentes tal". bom, ele tem bons dentes. ele é galã de novela. faz sentido. o neymar anuncia cuecas. eu entendo quem compra. agora, o faustão? repito: o faustão? é ou não é inexplicável?
(tenho ojeriza de quem chama o faustão de fausto. ojeriza. "pois é, fausto". aquele ator que começou ontem na novela, aquele ex-bbb eliminado no último paredão. nunca pisaram no programa. e provavelmente nunca vão pisar de novo. nunca viram o faustão pessoalmente. e, provavelmente, não vão ver de novo. e dizem "pois é, fausto". ojeriza. a cláudia raia pode chamar o faustão de fausto. ela vai lá todo domingo!)
por que os corruptos seguem fazendo combinações pelo telefone? bem destaca a editora-chefe de um telejornal que é líder de audiência por aí (alô, ana maria braga! - taí, eu entendo quando a ana maria braga anuncia caldo de carne). voltando: bem lembrou a editora-chefe. "desde que eu me conheço por gente existem escutas telefônicas. por que eles continuam?". é isso. por quê? não dá pra encontrar pessoalmente? eles, mais do que ninguém, têm dinheiro pra gastar. e dinheiro que nem é deles! pega um avião, sabe? marca um almoço. por telefone? que bandidagem mais mirim!
por que torcedores do, sei lá, do goiás, do bahia, paraná clube, seguem torcendo para seus times no campeonato brasileiro? se existe uma certeza quando começa o campeonato é que esses times nunca vão ganhar. mas a torcida segue acreditando. segue indo ao estádio. será que eles acreditam seriamente que o bahia vai ser campeão? "grande final na fonte nova! bahia: o melhor elenco do brasil". não, né?
como o são paulo, time de ponta, time rico, segue contratando técnico ruim em looping? no repeat? sai o leão, entra o carpegiani. sai o carpegiani, entra o adilson. sai o adilson, volta o leão. é tão difícil assim contratar o luxemburgo? o luxemburgo tá no grêmio! vocês acham que ele quer ficar no grêmio? ouvindo "bah" pra cima e "tchê" pra baixo? contrata o luxemburgo, são paulo! inexplicável.
por que quando um aparelho eletrônico dá problema, a gente soca? dá uns tapinhas? dá aquelas batidinhas no controle-remoto? e quando a tevê de tubo dava pau? uns tapinhas em cima. ou desligava. pra "deixar descansar". é isso mesmo? deixar um eletrônico descansar? não existe nenhuma lei da física que explique esse comportamento. existe uma lei da psiquiatria: você é completamente louco. inexplicável.
por fim, por que o bruno de lucca segue no elenco da globo? essa é a revolta de um amigo felino-que-mente. e ele tem razão em perguntar. por que? inexplicável.
frases de mãe (pelo menos da minha)
- e se pega no olho?
- engula esse choro!
- abra essa boca!
- não sou mãe de todo mundo.
- não quero um piu sobre isso!
- o que eu estou vendo aqui é um zero?
- sai logo desse chuveiro!
- já almoçou?
- já jantou?
- coma!
- tá no fechamento?
- com quem?
- venha devagar.
- cuidado com a estrada.
- ligou para o seu irmão?
- hoje é aniversário do tio tavinho.
- não foi isso que eu te ensinei!
- virgilio de abranches quintão! (nome e sobrenome = sinal de problema).
- você vem nesse fim de semana?
- fecha o olho que o sono vem.
- compre uma vitamina!
- você está se alimentando direito?
- eu fico preocupada!
- isso não é roupa de sair!
- gosto tanto do seu cabelo curtinho...
- hoje é aniversário do tio fred.
- essa moça é sua namorada?
- como está sua carteira de vacina?
- não estou gostando nada disso.
- você estava dormindo?
- bens a deus!
- já pra cama!
- compre um apartamento.
- você precisa de uma previdência privada.
- vai trabalhar amanhã?
- sem brincadeira de mão!
- sem correr!
- durma bem.
love you, mom!
- engula esse choro!
- abra essa boca!
- não sou mãe de todo mundo.
- não quero um piu sobre isso!
- o que eu estou vendo aqui é um zero?
- sai logo desse chuveiro!
- já almoçou?
- já jantou?
- coma!
- tá no fechamento?
- com quem?
- venha devagar.
- cuidado com a estrada.
- ligou para o seu irmão?
- hoje é aniversário do tio tavinho.
- não foi isso que eu te ensinei!
- virgilio de abranches quintão! (nome e sobrenome = sinal de problema).
- você vem nesse fim de semana?
- fecha o olho que o sono vem.
- compre uma vitamina!
- você está se alimentando direito?
- eu fico preocupada!
- isso não é roupa de sair!
- gosto tanto do seu cabelo curtinho...
- hoje é aniversário do tio fred.
- essa moça é sua namorada?
- como está sua carteira de vacina?
- não estou gostando nada disso.
- você estava dormindo?
- bens a deus!
- já pra cama!
- compre um apartamento.
- você precisa de uma previdência privada.
- vai trabalhar amanhã?
- sem brincadeira de mão!
- sem correr!
- durma bem.
love you, mom!
Sexta-feira, Maio 11, 2012
dez dicas para não morrer
aqueles que verdadeiramente temem a morte não param de pensar nisso um segundo sequer. tudo é motivo para achar que, a qualquer momento, você ó, pá puf.
o mais desesperador é pensar que a indesejada pode vir mesmo que você (supostamente) não esteja vivendo nenhuma situação de risco. que esteja levando a sua vida normal. exclua aí assaltos, enfarte repentino. apenas imagine a sua rotina ser interrompida por um lance mortal.
e se eu estiver andando na rua, e um ônibus perder o controle e invadir a calçada? acontece, sabia? e se o meu prédio desabar? acontece, sabia? e se eu engasgar com a espinha de um peixe? e seu tomar um choque ao ligar o chuveiro? e se eu tropeçar na calçada e bater a cabeça? e se a roda de um caminhão se soltar e vier na minha direção? e se eu estiver na estrada e o motorista do caminhão da pista oposta dormir? a vida nada mais é do que escapar o tempo todo da morte.
maaaaas, meu querido, se você quiser diminuir as chances de bater as botas, existem meios. ao longo de trinta e um anos de vida colhi informações rigorosíssimas e agora apresento uma seleção de medidas que você pode tomar para não evadir-se do planeta.
1. não ande de van. quantas vezes você já viu a notícia: "van capota e mata oito?". seja aqui, seja na china. vans capotam. e matam oito, nove, enfim, quem estiver dentro. e se for um grupo de amigos indo para uma festa? quantas vezes você já viu essa notícia? "van capota e mata oito. amigos iam para festa". é isso. não ande de van. muito menos para ir a festas.
2. não entre num cessna. seja qual for o modelo. é muito familiar ouvir: "cessna desaparece com seis à bordo". é ou não é? como se morre andando em cessna, meu deus! sobrevoar a amazônia num desses então é morte certa. "cessna desaparece na amazônia. vôo seguia de marabá para rio branco e sumiu dos radares trinta minutos após decolar". cessa não! veta, dilma!
3. meu querido, o que te leva a crer que andar de parapente é seguro? é morte, entendeu? morte. e com grandes chances de ser gravada. de mês em mês aparece um maluco despencando de um parapente. por que você não vai andar de pedalinho? você já ouviu a notícia: "piloto morre em acidente com pedalinho?". pedalinho, minha gente. pedalinho, a emoção sob controle.
4. não seja parente do roberto carlos. nesse caso não tem muito o que fazer, não há escolha. mas se você não é dessa família suas chances aumentam.
5. não tente escalar montanhas geladas. pra quê? pra quê? vai encontrar o pote de ouro no topo? não. pote de ouro, ao que me consta, fica no final do arco-íris. então por que desgraça subir naquela montanha cheia de neve? vai virar notícia. "alpinista soterrado em avalanche". "embaixada não tem notícia sobre corpo". "família aguarda informações". olha o desespero para os seus. francamente!
6. quem nada em represa pede pra morrer. ainda mais se for acompanhado de um irmão. me conta aí se você já não viu dezenas de notícias assim: "irmãos morrem afogados em represa". não é? se for nadar na represa, o que já é um erro, vá sozinho. seu irmão você manda pra nova iorque fazer um curso na onu.
7. o que você vai fazer em governador valadares? me diga. o que? e em ipatinga? e em teófilo otoni? o que? nada. então pra que pegar a BR-381? pra saltar de parapente do pico da ibituruna? não, né?
8. não case. se casar, não separe. já viu como essa gente mata os parceiros por causa da separação? e não é um tirozinho, não é com um empurrãozinho da escada. é com facada. com machado. e enterra no quintal, no chão da cozinha.
9. não seja ícone de nada. já viu o que morre de ícone? todo dia morre um ícone.
10. não seja humorista. como morrem os humoristas. quantas vezes você já ouviu "o brasil fica mais triste?". ou "o céu agora está mais alegre?". nem o brasil fica mais triste nem o céu fica mais alegre. morte é morte. brasil é substantivo abstrato. não tem sentimento. e céu? que céu?
é isso. seguindo essa dicas, se você não tiver problemas cardíacos, doenças genéticas, não morar na pavuna, na síria, não for ciclista em são paulo ou sem-terra no pontal, talvez você sobreviva. ou não.
o mais desesperador é pensar que a indesejada pode vir mesmo que você (supostamente) não esteja vivendo nenhuma situação de risco. que esteja levando a sua vida normal. exclua aí assaltos, enfarte repentino. apenas imagine a sua rotina ser interrompida por um lance mortal.
e se eu estiver andando na rua, e um ônibus perder o controle e invadir a calçada? acontece, sabia? e se o meu prédio desabar? acontece, sabia? e se eu engasgar com a espinha de um peixe? e seu tomar um choque ao ligar o chuveiro? e se eu tropeçar na calçada e bater a cabeça? e se a roda de um caminhão se soltar e vier na minha direção? e se eu estiver na estrada e o motorista do caminhão da pista oposta dormir? a vida nada mais é do que escapar o tempo todo da morte.
maaaaas, meu querido, se você quiser diminuir as chances de bater as botas, existem meios. ao longo de trinta e um anos de vida colhi informações rigorosíssimas e agora apresento uma seleção de medidas que você pode tomar para não evadir-se do planeta.
1. não ande de van. quantas vezes você já viu a notícia: "van capota e mata oito?". seja aqui, seja na china. vans capotam. e matam oito, nove, enfim, quem estiver dentro. e se for um grupo de amigos indo para uma festa? quantas vezes você já viu essa notícia? "van capota e mata oito. amigos iam para festa". é isso. não ande de van. muito menos para ir a festas.
2. não entre num cessna. seja qual for o modelo. é muito familiar ouvir: "cessna desaparece com seis à bordo". é ou não é? como se morre andando em cessna, meu deus! sobrevoar a amazônia num desses então é morte certa. "cessna desaparece na amazônia. vôo seguia de marabá para rio branco e sumiu dos radares trinta minutos após decolar". cessa não! veta, dilma!
3. meu querido, o que te leva a crer que andar de parapente é seguro? é morte, entendeu? morte. e com grandes chances de ser gravada. de mês em mês aparece um maluco despencando de um parapente. por que você não vai andar de pedalinho? você já ouviu a notícia: "piloto morre em acidente com pedalinho?". pedalinho, minha gente. pedalinho, a emoção sob controle.
4. não seja parente do roberto carlos. nesse caso não tem muito o que fazer, não há escolha. mas se você não é dessa família suas chances aumentam.
5. não tente escalar montanhas geladas. pra quê? pra quê? vai encontrar o pote de ouro no topo? não. pote de ouro, ao que me consta, fica no final do arco-íris. então por que desgraça subir naquela montanha cheia de neve? vai virar notícia. "alpinista soterrado em avalanche". "embaixada não tem notícia sobre corpo". "família aguarda informações". olha o desespero para os seus. francamente!
6. quem nada em represa pede pra morrer. ainda mais se for acompanhado de um irmão. me conta aí se você já não viu dezenas de notícias assim: "irmãos morrem afogados em represa". não é? se for nadar na represa, o que já é um erro, vá sozinho. seu irmão você manda pra nova iorque fazer um curso na onu.
7. o que você vai fazer em governador valadares? me diga. o que? e em ipatinga? e em teófilo otoni? o que? nada. então pra que pegar a BR-381? pra saltar de parapente do pico da ibituruna? não, né?
8. não case. se casar, não separe. já viu como essa gente mata os parceiros por causa da separação? e não é um tirozinho, não é com um empurrãozinho da escada. é com facada. com machado. e enterra no quintal, no chão da cozinha.
9. não seja ícone de nada. já viu o que morre de ícone? todo dia morre um ícone.
10. não seja humorista. como morrem os humoristas. quantas vezes você já ouviu "o brasil fica mais triste?". ou "o céu agora está mais alegre?". nem o brasil fica mais triste nem o céu fica mais alegre. morte é morte. brasil é substantivo abstrato. não tem sentimento. e céu? que céu?
é isso. seguindo essa dicas, se você não tiver problemas cardíacos, doenças genéticas, não morar na pavuna, na síria, não for ciclista em são paulo ou sem-terra no pontal, talvez você sobreviva. ou não.
Sexta-feira, Maio 04, 2012
diálogos confusos
à mesa: importante socióloga, ambiciosa economista e equatoriano (e o narrador).
- tô sem dinheiro.
- fala sério.
- não tenho, não tenho! tô dura!
- eu não vou discutir sobre dinheiro com uma pessoa que está pagando cento e cinquenta reais por um sushi e vai passar um mês em nova iorque a partir de segunda.
- meu querido! eu não tenho um tostão! eu tive que fugir da empregada pela porta dos fundos, porque eu não tinha como pagar!
- fugiu da empregada?
- sim! eu não tinha como pagar! minha vida é horrível. eu só tinha uns trocados...
- e por que você não deu pelo menos esses trocados pra ela?
- porque eu tenho que pagar minha analista!
consternação.
- eu tô precisando de analista! - segue - um horror! um horror! (silêncio) - eu quero arrancar uma risada desse japonês.
(silêncio).
- a gente tá sendo muito maltratado aqui. isso é coisa de japonês.
- cala a boca. eles tão fazendo tipo. pra todo mundo sair daqui e dizer que foi naquele restaurante em que você é mal tratado pelo japonês. eu tô vendo bem a cara deles. da porta pra fora, eles saem abraçando gente na rua.
- eu preciso fazer um dos dois rir até o fim da noite.
- cala a boca.
- é o meu desafio pessoal. você sabe que eu venci um desafio pessoal com o narrador?
- é verdade. - concorda o narrador.
- ele sempre fica fazendo gracinha pra animar a classe de serviços. ele sempre faz isso. o garçom ri, a faxineira ri, todo mundo ri. e ele faz de propósito. aí ele me dasafiou.
- e?
- eu passei anos, minha querida, anos bancando a palhaça pra arrancar um sorriso de um manobrista. uma risadinha da aeromoça! e nada! até...
- até que eu recebo um telefonema.
- e?
- do outro lado uma gargalhada. uma gargalha profunda.
- quem era?
- a caixa do supermercado.
- sim! eu fiz a caixa gargalhar!
- e ligou pra ele?
- sim. me ligou. e não abriu a boca. só ouvi a gargalhada.
- eu falei pra ela: "não para de rir! não para que eu vou fazer uma ligação". era a grande prova de que eu sei fazer rir a classe de serviços, sim!
- e o que você ganhou nessa aposta?
- um livro do pushkin.
- erro.
****
- por que você nunca me cita? - pergunta ambiciosa economista.
- onde?
- no seu blog.
- porque você não tem ritmo. - interrompe o equatoriano de galápagos (um dia ainda escrevo sobre o único homem do mundo que nasceu em galápagos e ainda não foi descoberto pelo discovery channel).
- eu tenho ritmo!
- tem nada.
- todo mundo tem ritmo!
- todo mamífero tem ritmo.
- defina mamífero.
****
- é uma ousadia ou não é? eles queriam que o saci fosse o mascote da copa.
- saci?
- exato, foi um dos candidatos!
- meu deus!
- como pode o mascote de uma copa do mundo de futebol não ter uma perna?
silêncio. reflexão.
- qual perna o saci não tem?
- a direita!!!
- certeza?
- claro!
- porque vocês responderam como se eu fosse um idiota.
- ai, gente, sei lá. tô achando que ele tem uma perna só e fica no meio, sabe?
dúvida.
- enfim, o saci não foi eleito! claro! mas adivinhem quem foi eleito...
- quem?
- chuta!
- pra quê?
- ué, chuta.
- pra quê? eu odeio isso. quando fica essa história de chuta! chuta! chuta! pra quê? qual é o sentido disso? por que não fala logo?
- sei lá?
- eu odeio que fica mandando chutar! não me manda chutar!
- credo.
- e quando é um valor? aí a criatura fala: chuta! esperando que você fale "dez". aí você fala "cem". e a pessoa fica frustrada. porque achou que você ia falar "cinco", e ela iria arrasar e me arrebatar falando: "não, dez!".
- enfim, enfim! vocês podem prestar atenção em quem foi o eleito?
- eu quero adivinhar!
- mula-sem-cabeça!
- não.
- um cafezinho!
- não... qual é o elemento básico do futebol?
- coruja!
- repetindo. agora com as mãos ajudando. qual é o elemento básico do futebol?
- a bola!
- qual o animal?
- tatu!
- tatu-bola! - ponto para o equatoriano, ponto!
- bem que poderia ter sido a mula-sem-cabeça. faz todo sentido. seria mascote, mas ainda serviria de tocha.
- mas tocha é na olimpíada!
- serve também. tenho certeza: se fosse na coréia, e tivesse o baloubet do rue, ele já tinha virado tocha!
- e se consagrado!
- sim: porque você pode escolher como vai entrar para a história. como o cavalo que simbolizou o espírito olímpico e a união das nações...
- ...ou aquele que refugou.
- eis o mistério da fé.
****
- o que você fez na orelha?
- tirei uma marquinha de nascença.
- ah!
minutos se passam.
- o que você fez na orelha?
- acabei de falar pra ele. tirei uma marquinha de nascença.
- você tirou aquela coisa que você tinha na orelha???
- sim.
- meu deus! e eu sempre achei que aquilo era um tímpano externo!
- era pequeno, vai. e era só uma pele.
- meu deus! meu deus! e eu sempre quis pegar naquilo pra ver como era! perdi a oportunidade! (silêncio). você já deu um beijinho naquilo?
silêncio.
- ai, desculpa. eu convivo com essa dúvida há anos.
- pede a conta. eles dormem cedo.
- quem dorme cedo?
- os japas, donos do restaurante.
- como você sabe?
- sei lá. eles dormem cedo. pede a conta.
- eu quero a nota paulista.
- sabe por que eu me irrito? porque você pede essa nota paulista e não resgata!
- esse ano eu vou resgatar, prometo. preciso pagar minha analista.
- tô sem dinheiro.
- fala sério.
- não tenho, não tenho! tô dura!
- eu não vou discutir sobre dinheiro com uma pessoa que está pagando cento e cinquenta reais por um sushi e vai passar um mês em nova iorque a partir de segunda.
- meu querido! eu não tenho um tostão! eu tive que fugir da empregada pela porta dos fundos, porque eu não tinha como pagar!
- fugiu da empregada?
- sim! eu não tinha como pagar! minha vida é horrível. eu só tinha uns trocados...
- e por que você não deu pelo menos esses trocados pra ela?
- porque eu tenho que pagar minha analista!
consternação.
- eu tô precisando de analista! - segue - um horror! um horror! (silêncio) - eu quero arrancar uma risada desse japonês.
(silêncio).
- a gente tá sendo muito maltratado aqui. isso é coisa de japonês.
- cala a boca. eles tão fazendo tipo. pra todo mundo sair daqui e dizer que foi naquele restaurante em que você é mal tratado pelo japonês. eu tô vendo bem a cara deles. da porta pra fora, eles saem abraçando gente na rua.
- eu preciso fazer um dos dois rir até o fim da noite.
- cala a boca.
- é o meu desafio pessoal. você sabe que eu venci um desafio pessoal com o narrador?
- é verdade. - concorda o narrador.
- ele sempre fica fazendo gracinha pra animar a classe de serviços. ele sempre faz isso. o garçom ri, a faxineira ri, todo mundo ri. e ele faz de propósito. aí ele me dasafiou.
- e?
- eu passei anos, minha querida, anos bancando a palhaça pra arrancar um sorriso de um manobrista. uma risadinha da aeromoça! e nada! até...
- até que eu recebo um telefonema.
- e?
- do outro lado uma gargalhada. uma gargalha profunda.
- quem era?
- a caixa do supermercado.
- sim! eu fiz a caixa gargalhar!
- e ligou pra ele?
- sim. me ligou. e não abriu a boca. só ouvi a gargalhada.
- eu falei pra ela: "não para de rir! não para que eu vou fazer uma ligação". era a grande prova de que eu sei fazer rir a classe de serviços, sim!
- e o que você ganhou nessa aposta?
- um livro do pushkin.
- erro.
****
- por que você nunca me cita? - pergunta ambiciosa economista.
- onde?
- no seu blog.
- porque você não tem ritmo. - interrompe o equatoriano de galápagos (um dia ainda escrevo sobre o único homem do mundo que nasceu em galápagos e ainda não foi descoberto pelo discovery channel).
- eu tenho ritmo!
- tem nada.
- todo mundo tem ritmo!
- todo mamífero tem ritmo.
- defina mamífero.
****
- é uma ousadia ou não é? eles queriam que o saci fosse o mascote da copa.
- saci?
- exato, foi um dos candidatos!
- meu deus!
- como pode o mascote de uma copa do mundo de futebol não ter uma perna?
silêncio. reflexão.
- qual perna o saci não tem?
- a direita!!!
- certeza?
- claro!
- porque vocês responderam como se eu fosse um idiota.
- ai, gente, sei lá. tô achando que ele tem uma perna só e fica no meio, sabe?
dúvida.
- enfim, o saci não foi eleito! claro! mas adivinhem quem foi eleito...
- quem?
- chuta!
- pra quê?
- ué, chuta.
- pra quê? eu odeio isso. quando fica essa história de chuta! chuta! chuta! pra quê? qual é o sentido disso? por que não fala logo?
- sei lá?
- eu odeio que fica mandando chutar! não me manda chutar!
- credo.
- e quando é um valor? aí a criatura fala: chuta! esperando que você fale "dez". aí você fala "cem". e a pessoa fica frustrada. porque achou que você ia falar "cinco", e ela iria arrasar e me arrebatar falando: "não, dez!".
- enfim, enfim! vocês podem prestar atenção em quem foi o eleito?
- eu quero adivinhar!
- mula-sem-cabeça!
- não.
- um cafezinho!
- não... qual é o elemento básico do futebol?
- coruja!
- repetindo. agora com as mãos ajudando. qual é o elemento básico do futebol?
- a bola!
- qual o animal?
- tatu!
- tatu-bola! - ponto para o equatoriano, ponto!
- bem que poderia ter sido a mula-sem-cabeça. faz todo sentido. seria mascote, mas ainda serviria de tocha.
- mas tocha é na olimpíada!
- serve também. tenho certeza: se fosse na coréia, e tivesse o baloubet do rue, ele já tinha virado tocha!
- e se consagrado!
- sim: porque você pode escolher como vai entrar para a história. como o cavalo que simbolizou o espírito olímpico e a união das nações...
- ...ou aquele que refugou.
- eis o mistério da fé.
****
- o que você fez na orelha?
- tirei uma marquinha de nascença.
- ah!
minutos se passam.
- o que você fez na orelha?
- acabei de falar pra ele. tirei uma marquinha de nascença.
- você tirou aquela coisa que você tinha na orelha???
- sim.
- meu deus! e eu sempre achei que aquilo era um tímpano externo!
- era pequeno, vai. e era só uma pele.
- meu deus! meu deus! e eu sempre quis pegar naquilo pra ver como era! perdi a oportunidade! (silêncio). você já deu um beijinho naquilo?
silêncio.
- ai, desculpa. eu convivo com essa dúvida há anos.
- pede a conta. eles dormem cedo.
- quem dorme cedo?
- os japas, donos do restaurante.
- como você sabe?
- sei lá. eles dormem cedo. pede a conta.
- eu quero a nota paulista.
- sabe por que eu me irrito? porque você pede essa nota paulista e não resgata!
- esse ano eu vou resgatar, prometo. preciso pagar minha analista.
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