Palácio Confuso

A minha fotografia
Nome: Palácio Confuso

Domingo, Setembro 13, 2009

Estate

Estate sei calda come i baci che ho perduto
sei piena di un amore che è passato
che il cuore mio vorrebbe cancellare]
Estate il sole che ogni giorno ci scaldava
che splendidi tramonti dipingeva
adesso brucia solo con furore
Tornerà un altro inverno
cadranno mille petali di rose
la neve coprirà tutte le cose
e forse un po' di pace tornerà
Estate che hai dato il tuo profumo ad ogni fiore
l'estate che ha creato il nostro amore
per farmi poi morire di dolore

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Festa do Moranguinho

- Por favor, o senhor poderia descer aqui para eu lhe apresentar a rainha da festa do moranguinho?
- Err... Só um minuto.
(desci).
- Esse é o homem mais importante da empresa... e essa é a primeira-dama da festa do moranguinho.
(sorriso amarelo).
- Existe alguma diferença clara entre o morango e o moranguinho?
(negativa com a cabeça, um pouco contrariada).
- Nós vamos produzir a maior torta de morango do mundo. Queremos entrar para o guiness.
- Ah, sim...
(pausa dramática. a simulação de um desmaio foi a única saída, já que a chacina está fora de moda no sul).

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

um bom FDS pra você.

se vocês soubessem a raiva que eu sinto quando alguém passa no meu orkut, no meu facebook ou em qualquer outra das minhas vidas virtuais para "me desejar um bom FDS", certamente não o fariam. a não ser que quisessem, como retorno, que eu lhes desejasse o castigo perpétuo de assistir aos filmes da tela quente. que merda é essa? e o pior não é isso. o pior é quando passam SÓ para te desejar um bom FDS. "oi, passei SÓ pra te desejar um bom FDS". ou: "passei SÓ pra te desejar uma boa semana". só pra isso? nem um boquete? francamente, eu mereço mais.

a chama creoula (ou: quero ser uruguaio)

quando a chama creoula anunciou-se acesa, não soube exatamente o que fazer. eu, idiota, que ainda não entendi onde estou. a chama é uma entidade, tipo a tocha olímpica, que vem dos confins dos pampas para lembrar ao povo que, um dia, todos aqui queriam ser uruguaios. quando a cratera interditou a br, e ilhou o Rio Grande do "resto do país", logo perguntei: mas não era justamente isso o que vocês queriam? enfim, ninguém (nem nada) respondeu. nem a chama creoula, que caminha, impunemente, em minha direção. vem aí a semana farroupilha. onde todo o mundo fica "fantasiado de gaúcho". pilchen, pulem, gritem. que lhes caia o butiá do bolso. mas milton sempre lembra: somos américa do sul. e disso gaudério nenhum há de escapar.

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Tsunami de Calorias

Ogra.
Assim era tratada desde criança pelos amiguinhos e pelos entes mais queridos. "Qual é o nome?". "Ogra", respondia a mãe. Como podia? O nome dava-se pela corpulência exagerada. Acima dos padrões estéticos humanos. Talvez plenamente adaptável ao mundo dos mamíferos extra-large. Mas, se por um percalço da natureza havia nascido entre os humanos, criar-se-ia dentre eles. E a chave de conversão que a faria aceitável entre aquela raça tão margrinha era o nome: "Ogra". Um dia esteve em uma ilha turística. A passeio. Circulava como uma normal, mesmo não sendo. Ninguém caminha com desenvoltura por areias fofas tendo mais de cento e vinte quilos dramaticamente espalhados por menos de um metro e sessenta, que se prolonga, ao máximo, por vinte centímetros em cada um de seus membros curtos. A areia por onde pisava se espalhava. As crateras que seus passos grotescos abriam eram expressivas. Os olhares que seu corpanzil exagerado e molengo atraíam eram muitos, e aterrorizados. "Ogra". Nome melhor não existia. Era capaz de comer tigelas e tigelas de tortas em apenas uma refeição. Tigela era um termo nunca usado. O mais fácil era "assadeira". Comia direto do forno. Conservava a temperatura com um pano de prato. Era só enquanto tomava banho e lavava as dobras que se sobrepunham em camadas quase infinitas. Pobre derme. Não, não. Pobre epiderme, que mal respirava. Tive pena pela primeira vez que a vi na TV. Foi triste. Por que ela fazia trejeitos de apresentadora. Era uma espécie de anorexia midiática. Via-se no vídeo tal qual as anoréxicas se vêem no espelho. Se achava magra. Sequer percebia que nem mesmo uma lente grande-angular alemã, daquelas que permitem a filmagem de um jogo de futebol no qual os vinte e dois jogadores cabem dentro de uma tela... sequer percebia que nem mesmo a grande-angular a comportava. "Sou tão gorda que não caibo na grande-angular". Se tivesse bom senso e sensação dos espaços que ocupava, diria isso a sua analista. Mas não. Preferia ofender os telespectadores. Preferia empurrá-los contra o sofá ao aparecer na tela e tomar todo o espaço. Nenhum píxel escapava. Todos eram empregados na ocupação daquela largura interminável. Era só apertar o "on". E vinha aquela tsunami de calorias. "Ogra".

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

ANÁLISE: "São os preservativos, estúpidos!"

a notícia:
"a apresentadora Xuxa Meneghel, 44, confessou que está "cada vez mais só" porque os homens brasileiros "se negam a usar preservativos". Disse que eles "prometem que sim, que vão usar, mas depois se negam" e se queixou, dizendo que ela não pode ficar sempre perguntando se "vão usar ou não preservativos". "Uma das coisas mais difíceis hoje em dia é encontrar um homem que use preservativos", disse em entrevista publicada no jornal carioca "Extra".

a análise de uma importante socióloga, que me permitiu reproduzi-la:
"estava pensando só semana passada que, assim como a medicina desistiu de curar o câncer, a imprensa brasileira desistiu de cobrir a vida afetiva da xuxa. aí, fiquei pennsando se ela não dava uma grana pra caras e contigo deixarem ela ser sapata em paz. em troca, ela oferece a sasha para eles. estava conformada com essa minha resposta para a questão. mas agora vejo que se trata mesmo de um problema de preservativos".

Filhinhas de papai

Levou as meninas à locadora. Estavam todas desocupadas, encostadas pela casa naquela tarde infernalmente quente de domingo. O calor já o angustiava. Tinha horror de dias quentes. Suava muito. Tinha verdadeiro horror de suar. Quando se esparramava no sofá preto de pano velho e as dobras do corpo começavam a produzir um sebinho meloso, sentia-se a menor das criaturas. E aquelas meninas ali, suando junto, jogadas pela casa. Que desocupação. Uma cutucava as unhas. Dos pés, o que era pior. A outra mascava chiclete com a boca a aberta e via a televisão. Essa parecia olhar para a parede, porque a televisão não lhe despertava qualquer reação. E olha que o animador de auditório fazia de tudo. Ele não entendeu direito qual era a proposta, mas, enfim, só para não deixar ninguém curioso, vale mencionar que o programa dispunha de uma piscina cheia de amido de milho (sim, amido de milho). E alguns candidatos tentavam passar por cima da piscina sem afundar no amido, que funcionava como uma espécie de areia movediça. O destaque ficava por conta dos candidatos a vencer obstáculo tão pitoresco: algumas mulheres de biquíni, um gordo gigantesco vestido de lutador de sumô, um homem vestido de gorila, algumas dançarinas de can-can, um cadeirante e um homem com seis dedos nos pés. Tirando as gostosas de biquíni, todos conseguiram a façanha. Assim como Cristo caminhou sobre as águas do Mar da Galiléia, o gordo lutador de sumô superou a piscina de amido.
Enfim, digressões à parte, ele achava o programa grotesco e isso já era o suficiente para provocar qualquer tipo de reação da filha, que continuava jogada sobre o sofá, sem esboçar qualquer sentimento ao ver um cadeirante quase se entalar numa piscina de amido.
A outra dormia. Babava e suava simultaneamente. “Onde está a mãe dessas meninas, meu Deus? Onde está a mulher que me ajudou a pôr isso no mundo?”
- Meninas, tenho uma idéia. Vamos à locadora alugar alguns vídeos.
Uau, que reação espetacular! Nenhuma delas se empolgou muito. A bizonha que cutucava as unhas arqueou a sobrancelha. A outra, a da piscina de amido, rosnou. E a gordinha continuou dormindo, babando, suando e agora, tcharan, roncando!
Foi um pai altivo. Levantou, vestiu-se, colocou seu mocassin marron, sua camisa pólo com todos os botões abotoados e conseguiu convencer as meninas a irem junto.
Ao chegarem, duas delas (a das unhas e a do amido) até mostraram alguma empolgação em escolher seus respectivos filmes. A terceira, a babenta e mais gorda de todas, ficou emburrada. As outras escolheram seus DVD´s e pronto. E a gordinha continuou de cara feia.
- Filha, que filme você vai levar?
- Nenhum.
- Nenhum? Você não quer nenhum filme?
- O que eu quero não tem aqui.
- E o que é?
- Pipoca com manteiga.
O pai não se conteve. Olhou para a cria, já de vida independente e tamanho desproporcional e disse:
- Gorda!

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Congresso Paralelo

- a fim de definir a pauta das próximas sessões, gostaria de confirmar a sua presença no plenário amanhã! o sr. vem para seu reduto eleitoral a que horas? temos uma inauguração para ir, mas acaba cedo e depois a gente bebe até o dia amanhecer, segundo manda o regimento interno. espero que dessa vez não haja manobras sórdidas da base aliada.
- como de costume, sexta é dia de voltar ao reduto, mas a oposição está obstruindo a pauta aqui. minha viagem, que seria hoje à noite, teve que ser adiada para amanhã. devo chegar ao reduto por volta das 21h30. sobre amanhã, a embaixatriz do marrocos me chamou para o aniversário da embaixatriz da jamaica, onde haverá demonstrações de nossa música mais popular, que, creio, não tem conquistado muito a sua bancada, mas que é base importante do meu eleitorado. como fazemos?
- vossa excelência, suspeito que o adiamento da sua volta ao reduto não se trata de obstrução de pauta e sim de uma tentativa de sessão secreta nesta madurgada com uma tal servidora de seu gabinete. sugiro cuidado com a bancada. sobre a agenda do sr. para amanhã, podemos convocar uma sessão extraordinária após nossos compromissos com nossas respectivas bases. podemos votar uma PEC sobre onde nos encontrarmos por volta da 1h. de olho no processo eleitoral, no qual nós dois seguiremos com nossa aliança e em busca de votos, posso estender a minha agenda ao aninversário da embaixatriz da jamaica a fim de discutirmos a prorrogação da magia até 2011.
- pela ordem, excelência. estou sendo acusado de assédio dentro das instalações desta casa. não admito e repudio. garanto que não sou da bancada do sexo. se vossa excelência comparecer à festa da embaixatriz jamaicana (superando seu conhecido preconceito contras nossas raízes) apenas para mantermos nossa aliança, garanto votar pelas emendas que repercutirão em sua base. e prometo não me abster na votação que vai julgar sua falta de decoro quando vier à tona a sua ação para corrigir um erro histórico contra o caju, que a levou a cometer atos libidinosos com o mesmo.
- assim sendo, caro deputado, nosso encontro está marcado para amanhã, já que ele foi aprovado pela CCJ com unanimidade. espero que a oposição não entre com uma Adin no Supremo... sobre a representação do PSOL, eu repilo quaisquer acusações de quebra de decoro, já que recebi aval do excelentíssimo sr. presidente da República para pôr em prática um "debate nacional" sobre o caju. em troca, o companheiro Dirceu me prometeu um cargo na vice-sub-quase-diretoria dos Correios.

Domingo, Setembro 09, 2007

Só um jantar

- Escuta, não é que eu tenha preconceito, mas ele é anão.
- E?
- Como “e”? Ele é um anão, cacete. Anão.
- Sim. Eu quero saber onde está o problema.
- Como onde está o problema? Gente, eu nunca servi um jantar pra um anão.
- E qual é a diferença?
- Digamos... meio metro?
- Engraçadinha. Não gosto disso.
- Tudo bem, brincadeira de lado, eu realmente vou ficar perdida. Ele vai alcançar os talheres? Ele fica de pé na cadeira?
- Francamente...
- Quanto ele come? O estômago de um anão é do tamanho do nosso?
- Mas...
- Uma colher de sopa cabe na boca de um anão? Ou ele toma sopa com colher de chá? Não me diga que não são perguntas pertinentes.
- Escuta...
- E as crianças? E se elas cometerem gafes? “Mãe, quem é o novo amiguinho”? “Oi, em que série você tá”?
- Bobagem.
- Nada. Eu vou saber disfarçar, mas as crianças...
- Ele é gente boa. Se as crianças falarem alguma coisa... ora, ele lida bem com tudo isso.
- Ele lida bem com o próprio nanismo?
- Ué, acho que sim.
- Análise. Análise para anões. Alguém descobriu esse nicho, meu deus.
- Seu humor passa dos limites.
- Não é humor, meu bem, é pânico. Como eu recebo um anão na minha casa? Quando ele chegar eu abaixo pra cumprimentar, como eu faço com os seus sobrinhos?
- Aja naturalmente.
- Se eu fizer isso, vou cair na gargalhada. Ou vou ficar deprimida olhando pra cabeceira de mesa e vendo um anão. Vou lembrar do Beto Carreiro. E eu garanto que não é saudável comer pensando no Beto Carreiro.
- Quanta bobagem.
- Você já comeu pensando no Beto Carreiro?
- Que pergunta é essa?
- Vamos, me diga.
- Tudo bem, eu já te comi pensando no Beto Carreiro.
- Hã?
- Ué, você perguntou. Bééééto Carreiroooo. Shlap, shlap.
- Pára ou eu não vou receber essa porra desse anão!
- Shlap, shlap.
- Vou dar jujuba pra ele comer!
- Shlap, shlap.
- Puto!